A varanda da casa de campo mantinha o mesmo perfume de terra molhada e alecrim que eu lembrava da infância. No canto mais acolhedor, ao lado das jarras de cerâmica, a antiga cadeira de palhinha parecia esperar por alguém disposto a contar um segredo sem pressa.
O ranger suave que acalma a mente
Sentar-se ali ao final da tarde era um rito de passagem para um estado de espírito mais leve. O movimento cadenciado do balanço parecia organizar os pensamentos dispersos, dissolvendo a rigidez trazida pela rotina agitada.
Minha avó costumava dizer que certas conversas só acontecem quando os pés saem do chão e o corpo aceita ser embalado. As palavras mais profundas sempre surgiam nos intervalos entre um balanço e outro.
Guardando pequenos tesouros na memória
Aquelas tardes ensinaram-me que o afeto não exige grandes acontecimentos para se fazer presente. Ele habita a simplicidade de um olhar atento, no gesto de servir um chá morno e no silêncio compartilhado sem desconforto.
Onde o coração encontra abrigo
Mesmo longe daquela varanda, carrego comigo a certeza de que podemos construir refúgios internos onde quer que estejamos. Basta reservarmos alguns minutos para cultivar a delicadeza e lembrar de quem somos.
