O CALANGO E A CHÁCARA DA INVEJA

Cuidado com quem você chama de amigo. O verdadeiro amigo comemora suas conquistas; o invejoso só mostra quem realmente é quando percebe que não conseguiu impedir você de vencer.

Eduarda Ribeiro

8/9/20262 min read

O CALANGO E A CHÁCARA DA INVEJA

O Calango tinha um grande sonho: comprar uma chácara. Depois de muito trabalhar na plantação de milho e guardar cada moedinha, finalmente conseguiu. O camarada Jabuti vendeu a propriedade parcelada, e o Calango ficou feliz demais.

Quando o Urubu soube da novidade, a inveja tomou conta dele.

— O Calango comprou uma chácara? Vou lá ver se isso é verdade!

Quando chegou, encontrou o Calango amassando barro para fechar as frestas da casinha.

— Aí, camarada Urubu! Ocê por aqui? Chegue mais, venha tomar um café comigo!

O Urubu entrou, olhou tudo dos pés à cabeça e falou:

— Fiquei sabendo que ocê comprou essa chácara. Vim conferir.

— Comprei sim! E tem até um açude. Vem cá que vou mostrar procê!

Os dois foram até o açude. Quando o Urubu viu os peixes pulando na água, arregalou os olhos de inveja.

— Mas como ocê conseguiu comprar isso, Calango? Ocê é um simples trabalhador da roça! Eu fico encabulado com uma coisa dessas!

O Calango abaixou a cabeça.

— Era meu sonho, camarada. O Jabuti vendeu parcelado pra mim e tô pagando certinho. Ele disse que eu sou trabalhador e merecia uma oportunidade.

O Urubu ficou calado, mas por dentro estava furioso.

Naquela madrugada, voltou escondido com uma foice. Cortou a plantação do Calango, destruiu os frutos e abriu uma vala no açude, deixando a água escapar. Depois pegou os peixes e foi embora.

Na manhã seguinte, quando o Calango viu tudo destruído, ficou arrasado.

Mas não desistiu.

Com muito trabalho, fé e a ajuda do Jabuti, plantou novamente, recuperou o açude e, algum tempo depois, conseguiu conquistar tudo de novo — e ainda em dobro.

Quando o Urubu viu aquilo, não suportou. Foi até o Calango e, tomado pela raiva, deixou sua máscara cair.

— Como pode, Calango?! Eu destruí tudo e ocê conseguiu tudo de novo, e ainda em dobro!

O Calango arregalou os olhos.

— Foi ocê, camarada Urubu?

O Urubu cuspiu no chão.

— Foi eu mesmo! Se eu não posso, ocê também não pode! Ocê não vai prosperar, seu Calango!

O Calango ficou arrasado. Nunca imaginou que alguém que chamava de amigo seria capaz de fazer aquilo.

Naquele dia, ele aprendeu uma grande lição:

Nem todo mundo que pergunta pelas suas conquistas está torcendo por você. Existem pessoas que sorriem na sua frente, mas se incomodam quando você prospera.

MORAL

Cuidado com quem você chama de amigo. O verdadeiro amigo comemora suas conquistas; o invejoso só mostra quem realmente é quando percebe que não conseguiu impedir você de vencer.

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